Luís Pinto (SC Sanjoanense)

Começou no futsal mas depressa passou para o futebol, no Vialonga, onde encantou com a sua velocidade e potência.
No Povoense atingiu a sua melhor temporada, com muitos golos e a subida de divisão.
Agora no Sanjoanense, professor de Educação Física e com o mestrado quase concluído, o sonho de ser profissional ainda persiste.

1) Ao contrário da maioria dos miúdos, começaste a tua formação do futsal. Porquê?

Eu cheguei a jogar futebol 7 no Clube Atlético Povoense, na Póvoa de Santa Iria mas quando me mudei para o Forte da Casa, freguesia vizinha, não havia nenhum sitio para jogar futebol então fui para o futsal. Nessa altura gostava mais de jogar em ringues, era mais pequeno e um pouco menos móvel e mais pesado na altura, mas destacava-me pela técnica. Assim posso dizer que sim, comecei mais pelo futsal.

2) No futebol já passaste por várias posições, desde lateral a avançado. Como te descreves?

Sim a nível das posições que já desempenhei no futebol de 11 felizmente já pude experimentar várias apesar da minha posição concreta seja avançado claro. No meu primeiro ano de sénior, no GD Vialonga, lembro-me de jogar a médio centro, a 10, e foi até onde marquei o meu primeiro golo como sénior (contra o Sintra Football). Jogar a lateral, lembro-me de um jogo ou outro onde, com o decorrer do jogo, devido ao facto de ter sido necessário a minha equipa defender mais atrás, uma vez que tinha boa condição física, rápido e agressivo o mister colocou-me durante alguns minutos de jogo nesta posição. Como me descrevo? Gosto de achar que sou extremamente competitivo, sou bom a nível técnico e no entendimento do jogo. Tenho-me focado muito e sinto-me muito melhor na finalização, para além disso sou um jogador que não desiste nem pára durante um segundo de jogo, sou agressivo na disputa de bola e a minha característica mais forte é sem dúvida a velocidade.

3) Tens algum ídolo? Algum jogador que uses como referência?

Obviamente, partilho da opinião de muitas pessoas, sem dúvida o Cristiano Ronaldo. Não só pela forma de jogar, mas também pela forma de como leva as coisas na sua vida, o seu foco e determinação e fé são aspetos com os quais me identifico muito. Além deste ícone do futebol, felizmente desde que subi a sénior que tive muitos colegas mais velhos que serviram como inspiração para mim. Recordo-me que, quando joguei no GD Vialonga (ano em que subi a sénior) era dos jogadores mais novos do plantel e tínhamos uma equipa já muito “batida”, muitos “cotas” e lembro-me que muitos deles também os via como ídolos devido ao percurso futebolístico que já tinham e sem dúvida esta convivência ajudou-me a crescer e a aprender muito.

4) Estás a terminar o teu mestrado em Ensino da Educação Física nos ensinos Básicos e Secundários. É difícil conciliar estudos e jogar futebol?

A nível dos estudos é bastante difícil sim, principalmente porque os treinos são normalmente muito tarde e acabo por estar muito cansado e pouco fresco para acordar cedo e enfrentar o dia seguinte. No último ano de mestrado estive a estagiar como professor numa turma do Secundário e recordo-me que, nessa altura foi mesmo muito desafiante, exaustivo e difícil conciliar tudo. Tinha sempre muitos trabalhos e tarefas que precisava de garantir feitas para os dias e semanas seguintes. Infelizmente por isso, tendo de escolher entre os estudos e o futebol, optei, com tristeza por deixar temporariamente o futebol para segundo plano. Atualmente “apenas” com o trabalho de professor de Educação Física consigo conciliar tudo e sinto que quando há motivação e gosto pelo que fazemos é tudo mais fácil.

5) Já tiveste algumas lesões graves, que te deixaram mazelas no corpo. Tens receio no contacto atualmente?

As lesões assim mais graves que já tive foi fratura do Perónio, que aconteceu quando estava a jogar com amigos, num campo de sintético, o piton prendeu, torci o pé e acabei por partir na zona do tornozelo. Tive que ser operado e colocaram-me material. E obviamente todo este processo de internamento, cirurgia, recuperação, consultas, fisioterapia acaba por ser um processo muito chato e desafiante. No regresso temos sempre aquele medo de ir ao choque, de tocar naquela zona… E também o processo de voltar a ganhar massa muscular naquela zona é sempre difícil. Também fracturei o braço, o úmero, isto já num jogo oficial, numa disputa de bola com um adversário que acabaria por vir a ser meu colega no ano seguinte (no UA Povoense). Foi uma lesão má, também tive de ser sujeito a uma cirurgia, desta vez com a anestesia geral, voltar a colocar material, voltar a a ficar internado, recuperar, as dores… Muito difícil.

É sempre chato para voltar, tanto a nível físico mas também a nível psicológico. Felizmente eu, nos jogos consigo abster-me desses medos, focar-me e concentrar-me no jogo e até me acabo por esquecer dessas lesões que já tive. Em relação às disputas de bola e da ida ao contacto e ao choque, recordo-me que devido à placa que tenho no braço, como é ali uma zona rija que tenho e visto que não me dá qualquer dor, até me dá alguma vantagem psicológica porque sei que tenho ali uma zona muito rija que me serve de proteção, quase como se tivesse ali um escudo (risos).

6) Subiste de divisão no Povoense, sendo um jogador crucial. Foi a tua melhor temporada?

Até agora considero que sim, sem dúvida. Foi uma época muito completa, muito longa, os treinos eram muito tarde, muito sacrifício da nossa parte, foi uma época em que senti que fui muito importante para a equipa. Tive o privilégio de ser um dos capitães de equipa nesse ano. Joguei quase todos os jogos a titular, a avançado, num sistema tático com dois avançados em que eu e o meu colega, o Omar Kanté, fazíamos uma dupla muito forte lá na frente. Marquei uns 17 ou 18 golos. Foi muito bom a nível coletivo mas também a nível pessoal. Já tive boas épocas, mas esta teve um sabor especial porque senti que dei muito de mim para alcançar um objectivo comum à equipa, que era a subida de divisão e no final todo esse esforço coletivo e pessoal foi recompensado.

7) Qual foi o teu melhor golo? Tens algum na memória?

Felizmente já tenho alguns. Não só no Futebol de 11 mas recordo-me também de muitos da altura do futsal. Como nos pavilhões o barulho está mais concentrado, é um ambiente mais fechado, em jogos de casa cheia, quando há golos importantes parece que se sente de mais perto aquela euforia dos golos. Lembro-me de um golo que marquei nessa altura do futsal, um golo de calcanhar, quase do meio campo, em que estava de costas para a baliza, um colega fez-me um passe à meia altura e eu, com o calcanhar, assim meio de lado direcionei a bola para a baliza e fiz um grande golo. No futebol 11 não me esqueço do meu primeiro golo como sénior, em Sintra, contra o Sintra Football. Já tive outros golos especiais, mas penso que todos os golos acabam por ser especiais devido à importância e à emoção que há sempre que fazemos um golo para a nossa equipa.

8) Vais começar a temporada num novo clube (SC Sanjoanense). Quais são as expectativas? E objetivos?

Estou muito motivado e ansioso. Quero chegar em grande. Ao nível dos objetivos, pessoalmente como é óbvio vou sempre dar o meu melhor, logo desde início para puder voltar a estar ao meu melhor nível. Em relação ao plantel, do que conheço, estou seguro que iremos ter um equipa forte, e estou também muito confiante na organização que está a ser montada no clube, conheço a equipa técnica e sei que são homens dedicados e com ambição e acho que temos tudo para fazer uma boa época e dar uma boa imagem dos seniores do Sanjoanense.

9) Ainda persegues o sonho de ser futebolista profissional?

É um sonho que tens sempre. Claro que agora vais tendo outras coisas que aparecem com a vida, que vais assumindo com prioridade, mas claro que, se surgir a oportunidade e eu vir que é algo possível irei fazer por isso e obviamente que sim, gostava muito. Ainda acredito que é possível.

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